A importância de brincar

A importância de brincar

Nossas vidas podem mudar se libertarmos as crianças

Relacionar o ato de brincar com a diversão é algo básico e recorrente, além de ser fundamental. Brincadeiras e brinquedos, entretanto, podem estimular também muitos outros sentimentos e diversas vertentes das personalidades das crianças. 

Mas será que os adultos sabem valorizar e reconhecer isso?

Elementos transitam entre si no brincar e contribuem para uma jornada muito ampla de autoconhecimento. Confira abaixo como as brincadeiras podem mudar a percepção de mundo das crianças de formas diferentes e essenciais. 

Imaginação  

Muitas vezes as imagens externas soterram as internas, como Gandhy Piorski costuma dizer. A imaginação é uma força natural que precisa ser estimulada, e ao brincar as crianças estão exercitando essa habilidade de criação. Universos ficcionais são concebidos por elas a partir do contato com brinquedos, objetos e elementos naturais, fazendo com que elas sigam suas próprias regras e culturas. 

O lúdico estimula a criatividade, que também é alimentada pela força da imaginação. Valorizar as brincadeiras e deixá-las livres é fundamental, portanto, para o desenvolvimento de mentes mais criativas, alegres e questionadoras. 

Histórias

A habilidade do storytelling é muito valorizada, até mesmo no mercado de trabalho, mas o nosso hábito de contar histórias surge já na infância. Imaginamos personagens, conflitos, riscos, motivações, inícios, meios e fins envolvendo brinquedos e brincadeiras. 

E os momentos mais nostálgicos da infância acabam sendo aqueles que possuem histórias inesquecíveis, e muitos envolvem a arte do brincar, seja individualmente, com os pais, com os irmãos, com as mães ou com os amigos. As brincadeiras geram histórias e as histórias geram brincadeiras, por isso precisamos evitar um rompimento entre elas, mesmo depois de adultos. 

Como diria Eduardo Galeano, famoso escritor uruguaio, “os cientistas dizem que somos feitos de átomos, mas um passarinho me contou que somos feitos de histórias.” 

Sonhos

Carl G. Jung afirma que os estudos dos sonhos permitiram aos psicólogos investigarem o aspecto inconsciente de ocorrências psíquicas conscientes. Ou seja, os sonhos são fantasias inconscientes e incertas que ajudam a formar nossa consciência.

As crianças estão formando e conhecendo as próprias consciências, e precisam desse estímulo dos sonhos até mesmo para entenderem que certos acontecimentos são fantasiosos e surgem a partir de pensamentos incontroláveis. Durante as brincadeiras, os pequenos podem utilizar os sonhos para a criação de novas realidades lúdicas. E o processo também pode ter um caminho inverso (brincadeiras passam a influenciar nos sonhos). 

Crianças brincam e aprendem enquanto sonham. Manter e estimular essas experiências é fundamental (não só nas crianças).

Curiosidade

Crianças são seres novos no mundo. Consequentemente, possuem muitas dúvidas sobre tudo, e as brincadeiras podem responder algumas dessas questões e, principalmente, podem gerar outras. Atividades lúdicas pouco convencionais estimulam a curiosidade. Essas curiosidades se convertem em novas perguntas, que acabam gerando conhecimento.

Até mesmo atos normalmente reprimidos podem causar isso.

Gandhy Piroski diz, por exemplo, que ao quebrar um brinquedo, a criança quer conhecer o que está na alma daquele objeto. Ela está curiosa para saber do que ele é feito. Está curiosa para saber o que tem por trás do brinquedo. A curiosidade aparece quando não estamos satisfeitos. 

Crianças não se contentam com a superficialidade, pois entendem que brinquedos, brincadeiras e pessoas são muito mais complexos e amplos do que aquilo que estamos vendo. 

Sentidos

Uma brincadeira pode estimular os sentidos das crianças em seus mais amplos aspectos. 

Os cinco sentidos humanos são explorados individualmente ou em conjunto durante os momentos de diversão. Ao apagar uma luz, a visão é estimulada. Ao ouvir uma voz, a audição. Ao queimar algo, o olfato. Ao tocar em um brinquedo, o tato. Ao colocar algo na boca, o paladar (cuidado com essa!). 

Esses sentidos acabam gerando também sensações. Medo, angústia, alegria, tristeza, raiva, nojo e outras emoções tendem a aparecer nessas brincadeiras, pois estão diretamente relacionadas aos cinco sentidos. Brincar, portanto, é aguçar sentidos, nos sentidos mais amplos e práticos da palavra. 

Senso de Justiça

As brincadeiras também podem ampliar o senso de justiça das pessoas, especialmente as atividades de diversão feitas em grupo. 

Quando crianças se reúnem para brincar, elas confiam umas nas outras e respeitam (ou pelo menos entendem) os desejos e as necessidade do outro, mesmo que sejam diferentes. O senso de justiça durante uma brincadeira não significa que todos são tratados da mesma maneira ou que pensam igual, mas significa que todos serão tratados de uma forma que vai tentar manter o jogo divertido para todos os participantes. 

Obviamente isso se aplica a brincadeiras que não envolvam agressões físicas e uma humilhação do mais forte em relação ao mais fraco, em qualquer aspecto. Afinal, senso de justiça é respeitar a diferença. É saber que todos querem se divertir e reconhecer que não somos iguais, mas que precisamos nos respeitar. 

Para reforçar essa ideia, o Ph.D Peter Gray, autor de “Liberdade para Aprender”, fez um artigo relacionando senso de justiça com as brincadeiras de crianças e de cachorros, mostrando como os instintos animais também estão presentes nos seres humanos também durante os momentos mais divertidos. 

E Gray apresenta um conselho importante: 

“Liberte a sua criança e deixe ela brincar o quanto quiser.” 

Coloque em prática e volte a manter contato com esse ser infantil a partir de agora!

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