desigualdade economia do desejo

Desigualdade e a Economia do Desejo

Entenda o conceito de Eduardo Moreira

Uma fórmula utilizada em diversos roteiros de filmes diz que bons protagonistas precisam de desejos e necessidades.

O desejo é aquilo que vai movimentá-lo durante a narrativa. Já a necessidade é aquilo que realmente precisa, mesmo sem saber ou sem valorizar.

Não por acaso, isso acontece também na vida real, só que os desejos normalmente suprimem as necessidades. E muitas vezes as necessidades de terceiros.

Enquanto a necessidade é algo saciável, novos desejos vão sempre aparecendo, fazendo com que a pessoa não consiga supri-los totalmente. Dessa forma, o consumo exacerbado acaba prevalecendo em relação às necessidades básicas das pessoas.

Além de contribuir para uma destruição gradativa dos recursos naturais, esse exagero capitalista faz com que alguns possam gastar bastante dinheiro com diversas coisas dispensáveis e com que muitos não tenham condições para sequer comprarem comida.

O sistema no qual vivemos ainda conta com líderes e civis que apoiam a ideia de que apenas o livre mercado é capaz de gerar e distribuir riqueza, sendo que atualmente isso não acontece, e até mesmo os países considerados mais liberais praticam políticas estatais que propiciam mais oportunidades aos necessitados.

Eduardo Moreira, economista brasileiro renomado, fez até um livro explicando como essa “Economia do Desejo” se une diariamente a uma farsa da tese neoliberal para estimular cada vez mais o consumo desenfreado e contribuir para o aumento da desigualdade.

Desejo e Necessidade

Durante o livro, Eduardo ressalta a importância de termos uma vida mais limitada às verdadeiras necessidades e menos dependente dos desejos.

“Desejos não podem ser satisfeitos. Necessidades podem. E como o preço será sempre função da vontade de ter mais de alguma coisa para poder adquirir a tal “utilidade marginal”, uma economia que incentiva lucros focará exclusivamente em desejos, esse pote sem fundo” – Eduardo Moreira

No entanto, é difícil identificar o que é necessidade e o que é desejo, especialmente se consideramos que até os desejos surgem de necessidades humanas prévias. Mas o fato é que não podemos ter o desejo pelo lucro como fator determinante para guiar a sociedade.

O próprio autor faz uma reflexão sobre como seria o mundo se fossemos todos governados por figuras como Donald Trump, grande expoente da “Economia do Desejo”. Possivelmente destruiríamos todos os recursos naturais do planeta e viveríamos em condições ainda mais desiguais.

E tudo isso para que alguns poucos ricos pudessem aproveitar mansões, iates, festas e outros luxos.

Modelos econômicos

Além disso, Eduardo Moreira também tem uma frase muito impactante:

“País que não combate a desigualdade não combate a corrupção”

O economista defende essa ideia ao afirmar que os país que mais lutam contra a desigualdade são os menos corruptos do mundo, e também são os que apresentam melhores índices de saúde e educação.

Ou seja, para diminuir a pobreza é preciso diminuir a desigualdade. Para diminuir a corrupção é preciso diminuir a desigualdade. Para melhorar a saúde é preciso diminuir a desigualdade. Para melhorar a educação é preciso diminuir a desigualdade.

E para diminuir a desigualdade é fundamental repensar os modelos econômicos que controlam a maior parte dos países da atualidade.

Para defenderem o status quo, os defensores da “Economia do Desejo” ainda alegam que a extrema pobreza diminuiu nas últimas décadas graças a medidas do capitalismo liberal.

Eles só esquecem (ou fingem não saber) que boa parte das pessoas que deixaram a miséria pra trás é formada por chineses. Ou seja, vivem em um país com um modelo econômico bem diferente daquele defendido pelos neoliberais que estimulam o livre mercado e o consumo excessivo.

A China também tem problemas, assim como todos os países do mundo, e isso mostra que precisamos ampliar as discussões envolvendo modelos econômicos para entender quais são as qualidades e os defeitos dos já existentes.

No entanto, é difícil dialogar com a maior parte da população sobre o tema, seja por falta de conhecimento ou por uma resistência a debates que envolvem mais do que o “achismo” e os preconceitos de cada um.

O fato é que o capitalismo neoliberal tem aumentado a desigualdade consideravelmente nos últimos anos e isso tem destruído o planeta e as pessoas.

Devemos pensar alternativas, políticas públicas e atitudes pessoais que procurem diminuir o caos, e isso passa por conversas intensas sobre economia, meio-ambiente, relações de trabalho, distribuição de riquezas, reformas tributárias, etc.

A mudança tem que ser urgente, caso contrário o desejo vai superar as necessidades e a ganância vai superar o próprio ser humano.

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