coelho

Meu espelho na toca do coelho

Quantas aventuras você já viveu?

Outro dia me fiz esse questionamento e percebi que a resposta poderia ser um número extenso, desde que eu contasse os filmes, os livros e as séries que consumi nas últimas décadas.

Ao contar as minhas próprias aventuras, entretanto, o número ficou bem mais reduzido.

Ainda assim, posso dizer que tive bons momentos.

Viagens, shows, brigas, beijos, brincadeiras, risadas, choros e conquistas fazem parte do meu ser, mesmo quando estou preso em casa, e o fato de não poder vivenciar tais experiências novamente ainda não me fez esquecer aquelas que movimentaram meu passado.

Ao mesmo tempo, a carência de novidades me fez entrar em uma jornada muito mais aventureira e complexa do que todas as citadas acima: a do autoconhecimento.

Após anos e anos de resistência, entrei na terapia e comecei a descobrir um mundo novo dentro de mim. Muitas vezes fiquei inconformado com aquela pessoa. Em tantas outras oportunidades me encantei por essa mesma pessoa.

Resolvi então me aprofundar nesse processo.

Se minha vida fosse uma história de Lewis Carroll eu poderia dizer que resolvi entrar de cabeça no Rabbit Hole.

A expressão “Go Down the Rabbit Hole” foi criada a partir da obra Alice no País das Maravilhas, na qual a protagonista entra em uma toca de coelho para ir em busca do desconhecido e vivenciar aventuras inimagináveis.

Pois é, eu sinto que estou entrando no meu Rabbit Hole, na minha toca de coelho particular.

Tenho descoberto um universo no qual os sentimentos mais obscuros se unem aos mais explícitos para desenvolver aspectos de uma personalidade que ainda não conheço completamente, e que para conhecer preciso refletir.

Refletir mentalmente?

Sim, mas também em um espelho.

Já que estamos falando de contos de fada, vamos falar do espelho, esse objeto que pode ser tão maldoso e agradável, dependendo do seu ponto de vista.

Aquele espelho fica no meu quarto. Olho para ele todos os dias e, muitas vezes, não sei, de fato, quem é aquela pessoa presente no reflexo. Mas sei que é uma pessoa que está passando por mudanças. Sempre.

Em alguns dias é difícil admirá-la. Em outros é fácil. E assim vou levando. Dias bons, dias ruins, mas dias nos quais me acostumo, cada vez mais, com minha própria companhia.

A toca de um coelho pode levar a um país de maravilhas ou somente a um espelho.

E se o espelho é meu, o reflexo verdadeiro também precisa ser, mesmo que só eu consiga enxergá-lo. Caso consiga, as novas aventuras vão aparecer e serão muito mais intensas e satisfatórias do que as antigas.

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