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Números comprovam que a depressão é uma epidemia mundial

Situação no Brasil é muito preocupante, especialmente para minorias.

Os últimos dados divulgados pelo Our World in Data mostram que aproximadamente 264 milhões de pessoas no mundo sofrem de depressão. Sim, mais de 4% da população convive com a doença. Não por acaso, a Organização Mundial da Saúde considera depressão, ansiedade e outros distúrbios mentais verdadeiras epidemias globais, especialmente após a pandemia do coronavírus.

Seguindo a mesma linha, a ONU divulgou em abril um resumo de políticas e ações pensadas para cuidar da saúde mental das pessoas que estão convivendo com a covid-19 e com o isolamento social. De acordo com o documento, a pandemia causou impactos psicológicos severos, especialmente nos profissionais da linha de frente do combate à doença.

Só para se ter uma ideia, a ONU revelou que 50% dos profissionais de saúde da China, primeiro país a enfrentar o vírus, passaram a ter diversos sintomas depressivos, enquanto 45% estão ansiosos e 34% começaram a ter insônia. 

Mas o problema já era muito grave antes da pandemia.

Um dos sintomas recorrentes da depressão é a aparição de pensamentos suicidas que, em muitos casos, são convertidos em tentativas. Infelizmente, muitas dessas tentativas fazem com que as pessoas depressivas consigam tirar as próprias vidas. 

Em 2019, a OMS divulgou que cerca de 800 mil pessoas se suicidam por ano. Apenas esse número já seria assustador, mas traçando uma relação desse dado com o tempo, o choque é ainda maior e mais triste: uma pessoa se mata a cada 40 segundos no mundo.

Os idosos acima de 65 anos são os mais atingidos pela depressão. Porém, os índices de jovens com a doença só aumentam, inclusive no Brasil.

Depressão e Juventude

Nosso país conta com 12 milhões de pessoas com depressão, ou seja, 5,8% da população do país e 4,54% do mundo. Estima-se que no futuro 20% da população brasileira já vai ter tido depressão. Os números são preocupantes, especialmente se acrescentarmos a informação de que 19,4 milhões de brasileiros também sofrem com transtornos de ansiedade. Esse dado diz muito ainda sobre a situação dos mais jovens.

No artigo em que listei informações básicas sobre a depressão, citei o documentário O Dilema das Redes para mostrar como as redes sociais têm deixado adolescentes e pré-adolescentes cada vez mais ansiosos e depressivos. Isso talvez justifique as pesquisas mais recentes. 

Em meados da década de 2010, o SUS registrou um aumento de 115% no número de jovens pacientes atendidos com depressão. Pois é, 115%… 

Para piorar, temos os dados sobre suicídios. A taxa brasileira aumentou 7% em seis anos, e 45% das tentativas de autoextermínio do Brasil são de jovens entre 15 e 29 anos. Não tivemos acesso aos números envolvendo a infância, mas os resultados norte-americanos já acendem um sinal de alerta.

Em 2017, mais de 3 milhões de crianças (entre 3 e 17 anos) foram diagnosticadas com depressão. Levando em consideração que a doença é a causa de dois terços dos suicídios, precisamos estar cada vez mais atentos às nossas crianças. E também às minorias.

Mulheres, Negros e População LGBTQIA+ 

Assim como acontece em outras epidemias e pandemias, incluindo a do coronavírus, as minorias tendem a ser mais atingidas.

Entre 2012 e 2016, por exemplo, o Ministério da Saúde divulgou que houve uma estabilidade de risco de suicídio por jovens pessoas brancas, enquanto os números de pessoas negras teve um aumento de 12%. 

Atualmente os jovens negros entre 15 e 29 anos representam 45% das tentativas de suicídio no Brasil. E a cada 10 pessoas que se matam, 6 são negras. Coincidência? Nem um pouco. Tanto que outras minorias também sofrem muito. Os dados não mentem.

As mulheres tem quase duas vezes mais chances de terem depressão, uma informação que também podemos relacionar com os casos de violência doméstica, estupros e as ameaças de feminicídio, que tem crescido cada vez mais. Só no primeiro semestre de 2020, o Brasil teve um aumento de 2% no número de mulheres assassinadas, sendo que 1890 foram mortas durante a pandemia de coronavírus. 

Para milhões de mulheres, o medo do vírus se uniu a outros medos que já existem há anos. A junção desses medos, sem dúvidas, pode ser um fator determinante para o desenvolvimento da depressão. 

Enquanto isso, os jovens LGBTQIA+ são cinco vezes mais propensos a tentarem o suicídio em relação aos heterossexuais. Uma pesquisa da Out Time ainda mostrou que 24% da população LGBTQIA+ mundial se sente depressiva com muita frequência ou até mesmo todo dia. Esse número subiu para 43% durante o isolamento social, que também fez com que 79% dos entrevistados sofressem algum tipo de impacto mental negativo no período. 

Os números acima mostram como o preconceito, a falta de empatia, a ausência de respeito, a exclusão e a marginalização das minorias matam, das mais variadas formas possíveis. O racismo, o machismo e a homofobia são grandes gatilhos para o desenvolvimento de tendências depressivas e suicidas, pois provocam um sofrimento mental inimaginável e incalculável. 

Números “Positivos”

É difícil ser otimista com tantos dados preocupantes e assustadores. Entretanto, alguns poucos índices podem ser minimamente satisfatórios.

Segundo o Depression and Bipolar Support Alliance, 80% das pessoas que procuram tratamento contra depressão apresentam melhoras consideráveis. A maior parte dos pacientes necessita de antidepressivos, mas outros diagnosticados conseguem se recuperar das piores crises apenas com tratamentos psicoterápicos. 

É importante também ressaltar que 50% dos tratamentos mal-sucedidos acontecem porque os pacientes não seguem as orientações médicas da maneira correta. Muitas vezes as vítimas da doença são resistentes aos medicamentos e indisciplinadas em relação às demais formas de tratamento. 

Depressão não é frescura, é uma doença muito séria. E para superá-la é fundamental ter disciplina, respeito e empatia com você mesmo e com os outros. 

FONTES:

Organização Mundial da Saúde (OMS)

Organização das Nações Unidas (ONU)

Our World in Data

Ministério da Saúde

Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)

G1

Out Time

DBSA

Centro de Valorização da Vida

Instituto Humanitas Unisinos

Depressão não é frescura

Gostou dos textos? Então aproveita para conferir algumas falas de especialistas, estudiosos e pessoas que convivem com certos distúrbios mentais ou tentam decifrá-los. No canal da Monja Coen você pode ver todos os vídeos da série “Depressão não é frescura”. Veja o teaser abaixo:

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