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O que é depressão? Definitivamente não é frescura

Entenda quais são os sintomas, as causas e os tratamentos da doença

Anualmente a depressão vira um dos principais assuntos nas redes sociais e nos programas televisivos por conta do setembro amarelo, campanha de prevenção ao suicídio. A iniciativa de termos um mês voltado para conscientizar as pessoas sobre a doença é importante, especialmente porque os casos têm subido vertiginosamente nas últimas décadas. 

Entretanto, é necessário falar sobre depressão durante o ano inteiro, pois para aqueles que convivem com a doença, todos os meses representam verdadeiras batalhas. Mas você sabe o que é depressão? Antes de mais nada precisa entender que depressão não é frescura, ok?

Bem, agora que eu disse isso, vamos destrinchar um pouco mais esse distúrbio para que todos entendam a gravidade, as complexidades e até mesmo os tratamentos. 

Definição 

Constantemente relacionam depressão com tristeza, e isso não está totalmente errado, tendo em vista que o ato de deprimir-se é causar uma sensação triste ou melancólico. Ao tratarmos a depressão como doença, contudo, precisamos esclarecer que as coisas não são tão simples assim. 

No site do médico Dráuzio Varella, por exemplo, temos uma definição bem pertinente, que inclusive explica a relação entre depressão, tristeza e outras sensações angustiantes:

“Depressão é uma doença psiquiátrica crônica e recorrente que produz uma alteração do humor caracterizada por uma tristeza profunda, sem fim, associada a sentimentos de dor, amargura, desencanto, desesperança, baixa autoestima e culpa. A tristeza tem motivo. A pessoa sabe que está triste. Já a depressão é uma tristeza profunda e muitas vezes sem conteúdo, sem motivo aparente. Mesmo se algo maravilhoso acontecer ou estiver acontecendo, a pessoa continuará triste”

E esse transtorno pode ser ainda mais cruel. Muitas pessoas com depressão sequer conseguem sentir-se triste, pois a sensação de vazio domina completamente, transformando até mesmo a tristeza em apatia. 

Essa condição complexa ainda envolve vários sistemas do corpo, além da mente, incluindo o sistema imunológico. Distúrbios de sono e alimentação, perda de peso em excesso, ganho de peso exagerada, entre outros problemas costumam ser recorrentes em quem sofre com a doença. Não por acaso, a Organização Mundial da Saúde afirma que a depressão é a principal causa de deficiência do mundo. 

O distúrbio envolve humor e pensamentos, mas também atua como um gatilho prejudicial para o corpo todo. Além disso, causa dor também nas pessoas próximas, que ficam com uma preocupação elevada, com medo de perderem familiares e amigos. Afinal, muitos dos pacientes diagnosticados com depressão convivem diariamente com pensamentos suicidas.  

Agora uma pergunta importante: como saber se uma pessoa tem depressão?

Sintomas e Diagnóstico 

Muitos sintomas aparecem em pessoas com quadros depressivos, por isso é essencial consultar um médico antes de tomar qualquer providência. No entanto, saber quais são as possíveis queixas pode ajudar no reconhecimento da doença, tanto que já existe até um site para ajudar nesse processo. 

Pensando nisso, listamos abaixo os sintomas mais recorrentes, de acordo com a OMS, o SUS e demais instituições/veículos especializados no assunto:

  • Tristeza permanente (todos os dias, a maior parte do tempo)
  • Ansiedade constante
  • Sensação de vazio
  • Anedonia (perda de interesse por atividades que sempre realizou)
  • Distúrbios de sono
  • Dificuldade de concentração
  • Sentimento de culpa recorrente
  • Alterações exageradas de Peso
  • Problemas psicomotores
  • Sensação de inutilidade constante
  • Perda de energia e fadiga exagerada (passar dias na cama)
  • Pensamentos suicidas
  • Perda de apetite
  • Mudança da libido
  • Problemas de auto-estima 
  • Queixas digestivas 
  • Taquicardia frequente
  • Problemas de memória
  • Dificuldade para tomar decisões
  • Dor de cabeça recorrente

Importante ressaltar que a depressão também pode ser um sintoma secundário a diversas doenças e que outras características podem aparecer em quadros depressivos, tanto que o SUS classifica a depressão em sete subtipos: distimia, endógena, atípica, sazonal, psicótica, secundária e bipolar. Entre no site oficial do Ministério da Saúde para saber mais sobre cada um dos tipos. 

Só tenha cuidado, pois o diagnóstico é clinico e, lembro novamente, deve ser feito por um médico especializado em transtornos mentais, um psiquiatra. Portanto, se estiver com quatro ou mais dos sintomas citados acima, procure um especialista e, em hipótese alguma, tome medicação por conta própria. 

Causas e Tratamentos

Mas o que causa a depressão? Os cientistas dizem que não existe uma causa única, mas sim uma combinação de fatores biológicos, genéticos, comportamentais, psicológicos e ambientais. Até uma situação estressante que sobrecarrega a capacidade de enfrentamento, como a perda de um ente querido, pode desencadear um quadro depressivo.

Para a OMS, existem dez principais fatores de risco que tendem a contribuir para o desenvolvimento da doença:

  • Histórico familiar;
  • Ansiedade crônica;
  • Transtornos psiquiátricos correlatos;
  • Estresse crônico;
  • Conflitos conjugais;
  • Dependência de álcool e drogas ilícitas;
  • Traumas psicológicos;
  • Doenças cardiovasculares, endocrinológicas, neurológicas, neoplasias entre outras;
  • Disfunções hormonais;
  • Mudança brusca de condições financeiras e desemprego.

Além disso, precisamos nos atentar aos casos de depressão em crianças e pré-adolescentes. De acordo com o documentário O Dilema das Redes, da Netflix, os números de suicídios entre os mais jovens têm aumentado bastante desde 2011, quando os celulares com internet começaram a se popularizar cada vez mais. 

Uma das possíveis conclusões para isso é a de que as redes sociais e suas recorrentes cobranças por padrões de beleza e comportamento podem estar ajudando a desenvolver quadros depressivos fortíssimos, especialmente nas gerações que já nasceram em um mundo com internet de fácil acesso. Ou seja, até a tecnologia pode causar depressão se não for controlada. 

“O Dilema das Redes”, documentário da Netflix, mostra os impactos das redes sociais na saúde mental.

Assim como tantas outras doenças, a depressão tem tratamento, e quanto antes a pessoa for diagnosticada, maiores são as chances de eficácia dos medicamentos e das demais ações psiquiátricas. Em casos mais leves, o tratamento psicoterápico costuma ser suficiente para gerar melhorias. Nas situações mais graves, entretanto, costuma ser necessário o uso de antidepressivos que ajudem a tirar a pessoa de uma crise pesada e aliviar as crises de ansiedade que tendem a acompanhar a depressão. 

É fundamental fazer um acompanhamento frequente e seguir as recomendações médicas. 

Empatia

Todo mundo tem dias tristes e ruins, mas depressão não é só sobre isso. Pacientes com depressão costumam sofrer com as desconfianças ignorantes de quem acha que a doença é frescura, então precisamos sempre ter empatia com aqueles que sofrem com isso e tentar conscientizar quem reproduz discursos equivocados sobre o tema. 

Por isso é sempre bom procurar informações sobre a depressão e ajudar quem está sofrendo. Inúmeras pessoas apresentam sintomas depressivos típicos e sequer procuram um psicólogo ou psiquiatra, pois têm preconceito ou medo do julgamento dos outros. A doença é complicada, mas tem tratamento e pode ser controlada. 

Ajude e respeite. Você literalmente pode salvar vidas. 

Depressão não é frescura

Que tal agora conferir depoimentos de especialistas, estudiosos e pessoas que sofrem com a doença ou tentam compreendê-la ? No canal da Monja Coen você encontra todos os vídeos da série “Depressão não é frescura”. Veja o teaser abaixo:

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