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Quais as relações entre a Monja Coen e os Beatles?

As letras das músicas feitas pela banda britânica podem ser relacionadas diretamente com alguns ensinamentos da Zen Budista

Há alguns meses tenho me conectado muito com os ensinamentos da Monja por meio de vídeos, podcasts, lives e cursos. Em uma dessas imersões, descobri que existe uma admiração muito grande dela pelos Beatles. Como um grande fã do grupo de Liverpool, essa informação fez com que eu me me identificasse ainda mais com a Monja, e também me fez traçar paralelos entre os Beatles e alguns conselhos do Zen Budismo disseminados por ela.

Não estou nem falando somente do estilo budista encontrado em algumas músicas da banda, como Within You Without, mas sim das letras e de acontecimentos das carreiras de Paul, John, George e Ringo.  

Vamos tentar entender essas conexões?

Roll up for the Mystery Tour!!

Em Minha Vida

Em um dos muitos vídeos que assisti da Monja Coen, ela expressou um pensamento revolucionário para a vida de quem ama a arte do storytelling:

“Todas as nossas histórias nos marcam profundamente. Algumas pessoas foram estimuladas amorosamente durante os anos, e isso influencia diretamente no amor próprio”

Os Beatles sempre escreveram muitas letras sobre experiências cotidianas de suas vidas, tanto que as primeiras composições eram belíssimas músicas sobre paixões e desilusões adolescentes. Durante o processo de amadurecimento da banda, no entanto, outras temáticas começaram a aparecer, especialmente para John Lennon.

Em meados de 1965, um jornalista britânico chamado Kenneth Allsop aconselhou Lennon a concentrar as próximas composições em sua vida interior. Ou seja, encontrar internamente quais eram os temas que ele precisava abordar.

Qual foi o Resultado? 

Bem, muitas músicas fantásticas, mas vou destacar In My Life

Na décima-primeira faixa do álbum Rubber Soul, John Lennon buscou inspiração internamente para lembrar de pessoas, lugares e histórias que marcaram sua vida em Liverpool, e assim criou uma mais emocionantes e consagradas músicas do Fab Four.

Os versos abaixo dialogam diretamente com o ensinamento da Monja. Histórias e demonstrações de afeto podem até ficar escondidas interiormente, mas sempre vão influenciar nossa vida: 

“Todos esses lugares tiveram seus momentos

Com amantes e amigos dos quais ainda posso me lembrar

Alguns estão mortos, e outros ainda vivem

Na minha vida, eu amei todos eles

Embora eu saiba que nunca vou perder o afeto

Por pessoas e coisas que vieram antes

Eu sei que, com frequência, eu vou parar e pensar nelas

Não por acaso, John considerava que In My Life era a primeira obra realmente importante feita por ele.

O Tolo na Colina

É difícil desassociar a imagem do Budismo da Meditação. E nem devemos tentar fazer isso, pois meditar é uma experiência profunda de autoconhecimento. Porém, durante os momentos da rotina, o processo de meditação não precisa ser tão complexo quanto as pessoas imaginam.

Monja Coen, por exemplo, afirma que sempre respira de forma consciente antes de qualquer evento em público, e esse hábito ajuda ela a não carregar o peso dos problemas anteriores àquele momento. 

A respiração consciente é uma tradição budista que nos ajuda a perceber onde está a nossa ansiedade. A Monja ainda costuma ressaltar que não é necessário respirarmos de forma exagerada. É apenas uma atitude de autocontrole. Vá para um canto e coloque em prática!

A ansiedade e o excesso de trabalho são problemas sérios e muito presentes na sociedade atual, então precisamos de meios para aliviar a tensão e conseguirmos ser produtivos, mas sempre respeitando nosso bem-estar interior.

E aí você vai me perguntar: onde os Beatles entram nisso?

Além da relação que a banda possuía com o budismo e com técnicas de meditação, algumas das músicas, até as mais simples, trazem um sentimento de tranquilidade gigantesca. Não por acaso, os Beatles influenciaram a própria Monja Coen, como ela revelou em uma entrevista nos anos 2000:

“Fui influenciada pelos Beatles. É interessante isso, porque tive várias influências, nunca podemos dizer que o que fazemos na vida foi uma coisa só que influenciou, é uma série de causas, circunstâncias e condições. O que mais me impressionava neles (Beatles) era a simplicidade, a capacidade de carisma e o controle de massa. Notava que eles eram extremamente inteligentes e ágeis, isso me fascinava. Quando vi, aqueles meninos estavam fazendo uma coisa chamada meditação”

Mas saiba que julgamentos e críticas podem acontecer nesse processo de respiração consciente, meditação e aprofundamento na ideologia budista. Muitas pessoas não querem que você pare nem por alguns minutos para respirar, e dessa forma vão te sufocando aos pouco (agentes e gravadoras fizeram isso com os Beatles por anos, inclusive).

Nessas horas é importante não ligar para a opinião dos outros. 

Em 1967, Paul McCartney escreveu uma música chamada Fool On The Hill, que conta a história de um homem que se isola sozinho no topo de uma colina para refletir sobre a vida, contemplar a natureza e conversar com si mesmo. 

Apesar de ser visto como um tolo pelos outros, ele é um visionário incompreendido que passou a ter momentos individuais de paz. Só para ter ideia, uma das inspirações da música foi um ermitão italiano que surgiu no fim dos anos 1940 e descobriu ter perdido todos os tenebrosos acontecimentos da Segunda Guerra Mundial pois estava vivendo em uma caverna. 

Que tal se tornar mais um tolo visionário e evitar determinados conflitos?

Acho que é uma boa ideia!

Aqui, Lá e em Todo Lugar

Além dos ensinamentos diretos da Monja Coen e dos Beatles, podemos tirar também lições práticas sobre narrativas transmídias. 

Há alguns anos tenho estudado o tema e analisado produtos culturais e intelectuais diversos, e posso dizer que a Monja Coen e os Beatles são ótimos cases transmidiáticos. Os vídeos da Monja no Youtube se conectam diretamente com os podcasts, com os livros, com os cursos, com as entrevistas, com as palestras, com as lives e com os demais eventos protagonizados por ela.

Contudo, se você só conseguir prestigiá-la em um desses canais, terá uma compreensão fechada, sem a obrigatoriedade de procurá-la em outros meios. Se conseguir assistir tudo, no entanto, terá uma experiência muito mais completa. Os Beatles também faziam isso. Uma música já apresentava uma experiência com início, meio e fim, mas essa experiência era ainda mais completa ao escutar o álbum inteiro, ao ver a capa, ao conferir os filmes, ao ler um livro sobre a banda etc. 

Nos anos 1960 era possível encontrar algo novo dos Beatles em todos os cantos, e isso muito antes da internet, tudo graças a estratégias muito bem definidas e inovadoras. Um Storytelling Transmidiático eficiente feito há mais de 50 anos! 

Hoje em dia ainda podemos consumir muitos conteúdos relacionados aos Beatles, e também à Monja Coen, em diversos ambientes e contextos. Para nossa sorte. Como diria uma das faixas do álbum Revolver:

“Estarei aqui e em todo lugar. Aqui, lá e em todo lugar”. 

Deixe Estar

“Nós somos todos muito diferentes. Às vezes brigamos porque vemos a realidade de forma diferente. E não precisamos brigar, precisamos compreender”

Essas palavras de sabedoria da Monja Coen podem ser aplicadas constantemente em nossas vidas e também servem para analisarmos como aconteceu o término dos Beatles.

John e Paul sempre tiveram uma competitividade saudável, do ponto de vista musical, e eram muito disruptivos, algo importante demais na indústria musical. Em determinado momento, entretanto, essa competição passou dos limites e atingiu a relação pessoal dos dois.

Os contextos são muito mais amplos, porém, podemos dizer que a maior dupla de compositores já existente não soube lidar com as diferenças de pensamentos, atitudes e propósitos. E também não conseguiram controlar os próprios egos.

Os Beatles terminaram exatamente porque não houve uma compreensão de ambos, assim como não havia mais muita paciência por parte de George e Ringo. 

Leio biografias sobre os Beatles há alguns anos, e hoje tenho plena consciência do quanto as coisas poderiam ter sido diferentes se existisse mais diálogo e respeito ao diferente. Por isso é necessário sempre entendermos o lado do outro.

As pessoas vivem realidades diferentes e possuem objetivos que podem ou não ser semelhantes. Cabe a nós respeitá-los, como a Monja Coen mesma disse. 

Pelo menos os Beatles conseguiram dar um basta no desrespeito e no sofrimento conjunto que enfrentavam. Paul McCartney escreveu Let it Be exatamente porque tinha uma sensação desesperada de que a banda estava ruindo. E foi isso o que aconteceu. 

A forma como resolveram acabar com essa angústia foi a pior possível para os fãs, pois culminou no fim da maior banda de todos os tempos. Contudo, se não existe respeito, é importante deixarmos as coisas passarem. 

Não vale a pena insistir em ambientes abusivos e desgastantes. Não vale a pena conviver com pessoas desrespeitosas, que não valorizam suas qualidades. Não vale a pena fazer algo que não te encanta. Não vale a pena brigar com ninguém. Muito menos com você mesmo.

E no fim…

Fim? Nada disso.

Agora você pode se aprofundar ainda mais nas ideologias da Monja Coen e na obra dos Beatles para tentar encontrar as suas próprias conexões e relações interiores. Vou deixar abaixo alguns links para facilitar seu processo de imersão:

Treinamento Prática Zazen com Monja Coen

Texto 21 Conselhos da Monja Coen

Canal Monja Coen

Podcast Despertar Zen com Monja Coen

Biografia dos Beatles

Vídeo Every Place Beatles

Vídeo How The Beatles Wrote Love Songs

E lembre-se sempre de escolher fazer o bem, pois o amor que você recebe é o mesmo que você proporciona, e essa é uma lição para todos, independentemente de crenças, gêneros, raças, monjas e bandas. 

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