artigo_criancas

Quem você quer ser quando crescer?

Uma pergunta sobre futuro que deve não deve ser respondida só por crianças.

Crianças costumam falar muito sobre o que vão ser quando crescer, e normalmente resumem esse futuro ao trabalho. Médicos, jogadores de futebol, jornalistas, policiais, bombeiros, advogados e outras profissões são citadas pelos pequenos, seja por conta da aura existente em torno de tais trabalhos ou por uma influência de pais e responsáveis. 

No entanto, o Ser significa mais do que um cargo ou uma função, especialmente se pensarmos que as próximas gerações vão precisar criar empregos em vez de procurar, como diz Andreas Schleicher no artigo “Desenhando o futuro: o que as crianças querem ser quando crescerem?”. 

Schleicher fala muito sobre a visão infantil do trabalho, mas antes disso precisamos entender  como ocorre a relação dos pequenos com o futuro em si. No primeiro artigo sobre a relação humana com o futuro, mostramos o quanto é importante para a sociedade colocar o imaginário em ação. A abordagem com as crianças, no entanto, é diferente.

Para começar, o tempo da criança não é igual ao nosso.

Enquanto os adultos são orientados a buscar resultados futuros, as crianças existem para o presente. As vontades e atitudes infantis são construídas com base no momento, ou seja, no presente. 

Provavelmente você já ouviu a seguinte frase:

“As crianças são o futuro”. 

Porém, as crianças já representam o presente, especialmente se avaliarmos que a responsabilidade de construir o futuro deve ser dos adultos, a partir de atitudes feitas no presente. Idealizar um cenário futuro no qual tudo será diferente é apenas uma forma de adiar eternamente mudanças que precisam ser feitas agora nos âmbitos sociais e pessoais. 

Além disso,  a pergunta “o que você vai ser quando crescer?” pode causar incômodos, pois dá a entender que a criança ainda não é nada ou ninguém. Como se ela nascesse sem legitimidade e que esse cenário só mudaria a partir do momento em que ela entrasse no formato do sistema, ou seja, quando ela escolhesse uma profissão, começando a servir a esse mesmo sistema (muitas vezes renegado por ela e também pelos adultos). 

Crescimento é diferente de nascimento. 

O ambiente, os acontecimentos, as brincadeiras, as conversas e todos os outros contextos nos quais as crianças estão inseridas vão influenciá-las em seus caminhos futuros. Portanto, essas escolhas envolvem muito educação, imaginação e saúde, três pontos que não precisam (e não devem) estar desassociados.

A medicina antroposófica, por exemplo, defende a ideia de que atitudes do presente influenciam o futuro da mente e do corpo, especialmente na relação da infância com a vida adulta. No livro “Consultório Pediátrico”, Goebel e Glockler mostram como certas condutas pedagógicas podem impactar a vida mais tarde. 

Experiências de felicidade, dedicação e amor, por exemplo, auxiliam o corpo físico a ficar plasmável e maleável por mais tempo, tendo em vista que existe um relacionamento fácil entre pessoas e o mundo circundante.  

Da mesma forma, a presença do arrebatamento e da admiração faz com que a pessoa cultive mais amor pelo mundo. Assim como aprender a brincar auxilia na composição do modo de colocar-se diante da vida e de suas respectivas condições. 

Ao contrário dos ambientes profissionais com os quais a maioria da população se acostumou, as brincadeiras e a imaginação trazem novas dimensões, pois representam uma iniciação cultural que pode ser subvertida constantemente. 

No segundo vídeo da série #PrimeiraInfância , parte do projeto de educação da MOVA, Gandhy Piorski explicou como é importante valorizar o brincar e a criatividade das crianças, sempre ressaltando que o Ser não deve ser definido somente por uma profissão. 

Crescer é se desenvolver progressivamente por etapas. Consequentemente, o crescimento pode ser encontrado no trabalho, mas também em momentos de lazer, nos quais recebemos estímulos imaginários gigantescos. Basicamente, crescemos sempre e com tudo.

Ou seja, crianças crescem e viram adultos que também precisam crescer frequentemente, nos mais variados contextos.

Imaginar cenários futuros é importante, mas para isso é necessário agir e se desenvolver no presente, tentando até mesmo responder à tão repetida pergunta feita para crianças, mas com uma pequena modificação:

  – Quem você vai ser quando crescer?

As respostas vão aparecer constantemente, e eu espero que elas apontem para você.  

Gostou do tema?

Então siga a MOVA nos canais abaixo para receber mais conteúdos sobre futuro, infância, educação e autoconhecimento:

Instagram

Youtube

Facebook

COMPARTILHE

Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin
Share on print
Share on email